A cidadania italiana é um sonho para milhões de brasileiros descendentes de italianos, mas junto com esse sonho vêm muitos mitos e informações incorretas que circulam pela internet. Hoje vamos desmascarar os 5 mitos mais comuns — e mostrar a verdade por trás de cada um deles.

Mito #1: "Só pode pedir cidadania até a terceira ou quarta geração"

A verdade:

Não existe limite de gerações para a cidadania italiana jure sanguinis. Se você conseguir comprovar a linha de transmissão ininterrupta desde o italiano que chegou ao Brasil até você, não importa se são 3, 5 ou até 8 gerações — você tem direito.

O que importa é:

  • Que o italiano não tenha se naturalizado brasileiro antes do nascimento do próximo descendente
  • Que não haja "quebra" na transmissão (por exemplo, uma adoção sem reconhecimento legal)
  • No caso de mulheres na linha, que os filhos tenham nascido após 1º de janeiro de 1948
Exemplo real: Já acompanhamos casos de 7ª geração com reconhecimento aprovado. O limite é documental, não geracional.
"A cidadania italiana se transmite de sangue para sangue, de geração em geração, sem prazo de validade."

Mito #2: "É muito caro, só para quem é rico"

A verdade:

Embora o processo tenha custos, ele está longe de ser "só para ricos". O investimento varia bastante dependendo da via escolhida e se você faz por conta própria ou com assessoria.

Via administrativa no comune (Itália):

  • Documentação: R$ 3.000 - R$ 8.000
  • Estadia na Itália: R$ 8.000 - R$ 15.000 (3-4 meses)
  • Passagens: R$ 3.000 - R$ 6.000
  • Total: R$ 14.000 - R$ 29.000

Via consular no Brasil:

  • Documentação: R$ 3.000 - R$ 8.000
  • Taxas consulares: R$ 1.000 - R$ 2.000
  • Total: R$ 4.000 - R$ 10.000 (mas com fila de 10-15 anos)

Muitas famílias fazem o processo dividindo os custos entre vários membros, o que torna o investimento por pessoa muito mais acessível.

Mito #3: "É muito difícil, cheio de burocracia impossível"

A verdade:

Sim, há burocracia — afinal, estamos falando da Itália! Mas "difícil" não é a palavra certa. O processo é trabalhoso e detalhista, mas totalmente viável se você for organizado e souber o que precisa fazer.

O que torna o processo mais simples:

  • Documentação completa e sem divergências nos nomes
  • Planejamento antecipado (começar a busca de documentos com antecedência)
  • Conhecimento dos requisitos do comune ou consulado onde vai protocolar
  • Uma boa assessoria, se você não tiver tempo de fazer sozinho
Dica: Milhares de brasileiros conseguem a cidadania italiana todos os anos. Se outros conseguiram, você também pode!

Mito #4: "O processo via comune demora apenas 3 meses"

A verdade:

Esse é um dos mitos mais perigosos, porque cria expectativas irreais. A lei italiana estabelece que o comune tem até 2 anos para concluir o processo — e muitos comunes usam esse prazo todo.

Prazos realistas:

  • Comunes rápidos: 3 a 6 meses (raros)
  • Comunes medianos: 6 a 12 meses (a maioria)
  • Comunes lentos: 12 a 24 meses (alguns, especialmente os grandes)

Além disso, antes do comune, você precisa:

  • Reunir toda a documentação (2 a 12 meses)
  • Ir para a Itália e fixar residência (imediato)
  • Aguardar o vigile fazer a verificação de residência (1 a 8 semanas)

Ou seja, na prática, conte com 6 meses a 2 anos do início ao fim, incluindo preparação e aguardo no comune.

Mito #5: "Precisa falar italiano para conseguir a cidadania"

A verdade:

Não existe exigência de falar italiano para o reconhecimento da cidadania jure sanguinis. Você está apenas reconhecendo um direito que já é seu por sangue — não está se "naturalizando" italiano.

Quando o italiano é exigido:

  • Naturalização: Se você não tem descendência italiana e quer se naturalizar (por casamento ou residência), aí sim precisa comprovar nível B1 de italiano
  • Questões práticas: Falar italiano facilita a vida na Itália durante o processo no comune, mas não é obrigatório
"Falar italiano é útil e recomendado, mas não é um requisito legal para o reconhecimento da cidadania por descendência."
Dica prática: Se você vai fazer o processo na Itália, aprender o básico do italiano vai tornar sua experiência muito mais agradável — mas não é eliminatório.

Bônus: outros mitos menores

  • "Precisa renunciar à cidadania brasileira" → Falso. O Brasil aceita dupla cidadania.
  • "Só quem tem sobrenome italiano pode pedir" → Falso. O sobrenome pode ter mudado ao longo das gerações.
  • "Tem que fazer no comune de origem do italiano" → Falso. Você pode escolher qualquer comune da Itália.
  • "Depois de reconhecida, a cidadania pode ser revogada" → Falso. Uma vez reconhecida, a cidadania é permanente.

Por que esses mitos são tão comuns?

Muitas informações sobre cidadania italiana circulam em grupos de Facebook e fóruns onde pessoas compartilham suas experiências pessoais — que podem não se aplicar a todos os casos. Além disso, as leis e procedimentos mudam com o tempo, e uma informação que era verdade em 2010 pode estar desatualizada hoje.

Por isso é fundamental buscar informações de fontes confiáveis: assessorias especializadas, sites oficiais de consulados e comunes, ou advogados italianos experientes na área.

Conclusão

A cidadania italiana é um direito de sangue, acessível a todos os descendentes de italianos que consigam comprovar sua linha de transmissão. Não se deixe desanimar por mitos e informações incorretas — com as informações certas e um bom planejamento, você estará muito mais perto do que imagina de ter o passaporte europeu em mãos.

Se você tem dúvidas sobre o seu caso específico, o melhor caminho é buscar uma consultoria especializada que possa analisar a sua árvore genealógica e orientar o caminho mais adequado para você.